Venho interromper as ferias solarengas da familia para continuar a dar conta de como vai o tempo aqui nos nortes: chuva! Prosseguindo...
Ja ha tres semanas que estou desterrado aqui em Groningen, Holanda. Mais uma vez, nao quero voltar para Portugal, por varias razoes:
1) O hospital. Quem conhece um hospital portugues percebe a razao do prazer que da ir as 8h30 da manha trabalhar em pleno Agosto, mesmo se a noite anterior foi de festa. O hospital de Groningen parece um centro comercial. Tem tamanho suficiente para transportarem doentes de carrinho de golf e darem aos medicos trotinetes. Tem mais obras de arte por metro quadrado que um bom museu portugues. Tem cabeleireiro, banco, livraria, dois restaurantes e nao sei quantos cafes, alem de um supermercado. Tem concertos de musica no atrio junto da fonte de 5 metros de altura. Os tectos abrem quando nao chove, e atraves de sensores voltam a fechar se a chuva comeca a cair. Tem ecras plasma em muitos corredores apenas porque sim. E tem cafe gratis para os funcionarios. Ah, ja agora, tambem tem doentes e coiso e tal, mas isso nao interessa muito num sitio destes...
2) A comida. No supermercado vende-se pronta para cozinhar, nada de ter de comprar dez coisas diferentes e corta-las aos pedacinhos para fazer uma japonesada: esta tudo ja devidamente preparado, e quem diz japonesada diz uma italianada, uma hungarada, uma chinesada, uma tailandesada, ou mesmo uma holandesada. Depois, para nao-comedores-de-carne como eu, tenho a escolha cerca de vinte variedades de bifes vegetais, alem das salsichas, almondegas, hamburgueres e panados do costume. Nao esquecer o vla (assim tipo pudim que se vende ao litro), as stroopwafels (bolachas que explicadas nao chega), a salada de batata e os paezinhos que se mete no forno de manha.
3) A cidade. Pequenina, mas cheia de pessoas (so estudantes sao 30 mil), acolhedora e que da para ir de uma ponta a outra de bicicleta em cerca de quinze minutos. Com uma oferta cultural impressionante (esta a decorrer o Noorderzon, um festival de teatro enorme num parque da cidade), um museu extremamente interessante, um jardim enorme cheio de patinhos e pessoas a correr, um mercado onde se vende de tudo (ficam avisados: as groselhas de ca sao acidas a valer), etc.
4) Os amigos. Em tres semanas o grupinho de internacionais de Groningen tornou-se numa bela companhia. Claro que a chuva por vezes estraga os cafezinhos a meio da tarde, e as escadas inclinadas do quarto da Aline sao propicias a quedas, mas acabamos sempre por nos divertir imenso uns com uns outros.
5) O pais. Eu aqui sinto-me em casa. E pronto.
Assim ficam cheios de noticias minhas (esta bem assim oh Carlos Augusto?). Nos proximos dias vamos passear pelo resto da Holanda (Roterdao, Delft, Leiden, Den Haag, Utrecht) aproveitando o feriado de segunda-feira, e depois de mais uma semana de trabalho vou para Amesterdao para voltar para casa no Domingo. Tot ziens para todos!